Encontrabilidade e Performance de uma Loja Virtual

Web

Uma pesquisa recente do BigWeb, plataforma exclusiva da BigData Corp, mostra que a maioria das lojas virtuais ainda operam de forma amadora na internet mostrando quanto o conhecimento básico em tecnologia é deixado de lado na hora de abrir um negócio virtual. Talvez isso seja reflexo da nossa sociedade empresarial onde tudo precisa ser feito de maneira rápida e com o menor orçamento possível, o que limita, e muito, os avanços em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e o emprego das já existentes.

O levantamento da BigData Corp mostra que itens considerados básico e essenciais, são ignorados pelos empreendedores na hora de escolher os fornecedores de tecnologia que vão tirar o projeto do papel. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, recursos simples como Certificado de Segurança (SSL) são ignorados por mais de 85% das lojas virtuais existentes na América Latina.

Se o empreendedor virtual não se interessar por conhecimentos nessa área, o negócio estará em risco antes mesmo de entrar no ar. É necessário entender o funcionamento total do e-commerce, só assim o lojista poderá ser atendido por fornecedores e discutir suas reais necessidades.

Partindo disto abordaremos 2 itens básicos que o lojista precisa conhecer para ter sucesso no seu negócio virtual.

Podemos dizer que uma plataforma de e-commerce é um agrupamento de subsistemas que tornam uma operação de e-commerce possível. Sem ela o lojista precisaria montar todo o quebra-cabeças (que tem milhares e peças) para deixar a loja virtual pronta para receber o público.

A plataforma escolhida pelo empreendedor deve atender a todas as necessidades específicas do negócio do lojista, assim como empregar todas as tecnologias básicas para a que operação do e-commerce tenha encontrabilidade e performance. Além disso, outros itens como usabilidade, segurança, administração, atendimento e logística são fundamentais para tornar a operação básica da loja virtual possível.

Encontrabilidade

Diferentemente do varejo físico, onde as pessoas simplesmente passam pela frente da loja e entram pela porta para comprar, uma loja virtual não fica exposta para os consumidores como a loja física. Antes eles precisam realizar buscas sobre o produto que estão interessados em sites de busca, comparadores de preços, redes sociais e demais mídias online, para só então entrar na loja e realizar a compra. Neste caso se uma loja virtual não aparece nos resultados da busca é como se a loja virtual não existisse. Imagine uma loja física no meio da floresta sem nenhuma rua ou avenida que dê acesso para os consumidores à loja. Portanto o primeiro item que o empreendedor precisa saber é como construir esses acessos. Para a loja ter encontrabilidade no meio digital é preciso conhecer sobre:

Motores de Busca e resultados orgânicos

Sabemos que o Google é o maior motor de busca da internet. Ele é o responsável pela maior parte do tráfego gerado para uma loja virtual tradicional. Mas para que isso ocorra de forma orgânica (sem a necessidade de investimento em mídia paga) o lojista precisa conhecer o seguinte termo: “Search Engine Optimization”, ou “Otimização para Motores de Busca”, ou simplesmente SEO.

Podemos dizer que SEO é uma ciência que estuda os algoritmos de indexação e ranqueamento dos motores de busca, para então criar e empregar técnicas de otimização que melhorem o posicionamento do site (loja virtual) nos resultados. Resultados estes, que são disputados de forma muito acirrada nas primeiras posições da página de resultados do motor. Ninguém sabe ao certo quantos critérios os algoritmos do motor utilizam para dar a melhor posição para um determinado site, sabe-se que são centenas de critérios e que estão constantemente mudando, sempre levando em consideração a seguinte questão: O resultado atendeu às necessidades do usuário respondendo suas dúvidas de forma satisfatória? Agora imagine uma “maquina” capaz de responder essa pergunta de forma assertiva em milésimos de segundos. E é justamente isso que os algoritmos fazem.

Entendendo isso o empreendedor deve sempre pensar em como construir a loja virtual de forma a responder essa questão para o público alvo do seu negócio. O primeiro passo é elaborar as descrições dos produtos da loja virtual dando os detalhes que descrevem o produto da melhor forma possível. Estes textos devem ser escritos de forma única na internet, pois os algoritmos dos motores sabem quando o conteúdo é copiado de algum lugar, e a loja é penalizada.

Quando o conteúdo é único, é “espontaneamente” recomendada pelos usuários que acabam por criar hyperlinks em outros sites da internet criando uma espécie de “contagem de recomendações”. Esta contagem é um dos primeiros algoritmos implementados pelo Google e possui o nome de PageRank. Muitas pessoas acham que o nome do algoritmo tem relação com o termo “ranqueamento de página”, mas na verdade ele recebe o nome do seu criador Larry Page, co-fundador do Google.

O PageRank já evoluiu muito desde a sua primeira versão, assim como diversos outros algoritmos foram implementados para que a precisão dos resultados seja a melhor possível. Ainda assim, o PageRank é um critério muito importante e deve ser levado em consideração no planejamento da elaboração da Loja Virtual.

Web

Mas como o algoritmo sabe que o conteúdo da página tem relação com a pergunta digitada no campo de busca? Através das Palavras-Chaves. O algoritmo mapeia as principais palavras-chaves utilizadas para linkar a recomendação ao conteúdo da página, e salva em seu gigantesco banco de dados. Quando o usuário digita a palavra-chave na busca, o algoritmo retorna a página com o melhor ranqueamento para ela. Como disse anteriormente, esse é só uma das centenas de algoritmos que também devem ser levados em consideração, mas foi a partir dele que o Google surgiu e ainda é um critério importante para uma boa posição nos resultados.

Um SEO bem feito é resultado de um bom conteúdo escrito e de uma ótima experiência que o usuário teve interagindo com a página. De nada adianta um texto bem elaborado se a experiência de leitura e interação com a página for ruim. Os motores sabem disso e estão cada vez mais priorizando as páginas que dão aos usuários a melhor experiência possível. Chamamos isso de User Experience ou apenas UX. Um bom UX é aquele que mantém o usuário o máximo de tempo possível na página. Quando o usuário permanece na página, ele se mostra interessado, e para mantê-lo interessado, uma boa experiência de navegação e visualização do conteúdo deve ser proporcionada.

Ao entregar uma ótima experiência aliada a um ótimo conteúdo, sua loja virtual estará apta a aparecer nos primeiros resultados dos principais motores de busca da internet, criando os acessos necessários para os consumidores entrarem em sua loja e realizem suas compras.

Além de técnicas de SEO Offpage, técnicas de SEO On Page devem ser implementadas. Estas técnicas são referente a otimização do código fonte (HTML) do site. Itens como Meta Title, Meta Descriptions, Sitemap, Schema.org entre outras otimizações, devem estar presentes na Plataforma de E-Commerce.

A Meta Title e Meta Description são lidas pelos motores de busca e utilizadas para identificar o conteúdo principal da página. Estes itens não podem se repetir em mais de uma página e devem ser objetivos e claros para o usuário identificar o conteúdo da página no resultado da busca.

Enquanto as Metas descrevem uma página, o sitemap lista todas que um site/loja virtual tem, este mapa facilita o rastreio das urls para o robô dos motores de busca agilizando a indexação das páginas.

Já o Schema.org é uma convenção de estrutura de código que facilita a leitura e identificação do conteúdo da página pelos buscadores. O Schema.org enriquece as informações que aparece para o usuário no resultado da pesquisa dando um maior destaque perante os outros resultados, aumentando dessa forma o CTR (Taxa de cliques). Quanto mais cliques um resultado tem mais posicionamento ele ganha.

Performance e Estabilidade

Quando falamos em estabilidade de uma loja virtual, significa que ela está preparada para comportar os consumidores que acessam a loja, sem qualquer problema que interfira na experiência de compra. Uma loja virtual lenta frustra o consumidor que acaba indo ao seu concorrente.

A preparação da infraestrutura de servidores para aguentar o máximo de usuários simultâneos possíveis é algo caro e complexo, e que deve ser cuidadosamente estudado e elaborado para proporcionar a melhor performance possível de carregamento da Loja Virtual.

Fazendo uma alusão do varejo tradicional, vamos imaginar uma pequena loja de 70m². Quantas pessoas podem ser atendidas por vez neste espaço? 10? 15?. No comércio online é basicamente a mesma coisa, quanto maior e melhor elaborada é a infraestrutura, mais consumidores simultâneos poderão ser atendidos por vez na Loja Virtual, e sem qualquer percepção de lentidão de carregamento.

Mas não é somente o número de servidores que estipula essa quantidade. A qualidade de software e a forma como ele foi desenvolvido influencia muito na otimização dos recursos de processamento dos servidores utilizados na infraestrutura.

Para essa otimização existem técnicas empregadas no software que reduzem o custo com a aquisição de novos servidores e deixam uma loja virtual mais rápida.

Uma dessas técnicas é a utilização de cache. O cache nada mais é do que a cópia do resultado já processada de uma operação gerada pelo sistema. Ao invés de reprocessar toda nova requisição dos usuários, o sistema grava o resultado na memória no primeiro acesso, para então utilizá-lo posteriormente em novas requisições, entregando o resultado final muito rapidamente. Sem ele os custos com infraestrutura seriam muito altos tornando o negócio inviável financeiramente.

Os caches podem (e devem) ser utilizados em várias camadas, porém quanto mais camadas de cache existirem mais difícil e complexo fica a administração deles. Algumas informações de uma loja virtual, como estoque e preço por exemplo, devem ser atualizadas constantemente em todas as camadas de cache, e esse sistema de atualizações de cache torna o software mais complexo (porém muito mais rápido), pois ele precisará saber exatamente quando deverá utilizar os recursos computacionais dos servidores para atualizar o cache.

A camada de cache mais conhecida e utilizada, é o cache no navegador do usuário. Este cache porém, serve para deixar a loja mais rápida apenas naquele computador e apenas para futuros acessos na mesma página. Quando você acessa um site, o servidor (se assim estiver configurado) informa ao navegador que ele pode gravar uma cópia daquela página na memória do seu computador por determinado tempo, ao voltar na página o navegador exibe a cópia salva anteriormente quase que instantaneamente, e essa percepção de velocidade é essencial para uma boa experiência do usuário e consequentemente um bom ranqueamento nos sites de buscas.

Já a camada de cache do lado de servidor é tão ou mais importante quanto o cache no navegador, pois ele é compartilhado com todos os usuários da loja virtual. Nesta camada temos uma espécie de “contradição”: Quanto mais usuários estiverem acessando a loja, mais rápida ela será, pois existirá uma a quantidade maior de cópias salvas em cache para entregar aos novos usuários.

Além do Cache, diversas outras técnicas de performance devem ser utilizadas, como Compressão de arquivos, Otimização de Imagens, CDN (Content Delivery Network) entre outras. Existem diversas ferramentas que ajudam os desenvolvedores na análise da performance de um site. Uma dessas ferramentas é o PageSpeed desenvolvida pelo Google.

O PageSpeed analisa o carregamento do site e gera uma pontuação conforme determinadas diretrizes. Cada técnica de performance implementada e detectada pelo PageSpeed gera uma pontuação, quanto mais alta é a pontuação do site melhor é a performance de carregamento.

Para realizar a análise utilizando o PageSpeed basta acessar o Link https://developers.google.com/speed/pagespeed/insights/?hl=pt-BR e informar a URL do site.

Se o empreendedor conhecer sobre estes termos técnicos, poderá cobrar dos seus fornecedores melhorias que o ajudem a alavancar o seu negócio. Se o atual fornecedor não atender às necessidades ele saberá escolher novos fornecedores que realmente atendam as demandas para manter o negócio sustentável em um mercado competitivo que é o e-commerce.

por Ivan Correa
Co-fundador e Gestor de Produtos da EZ Commerce