Regras para lojas virtuais precisam evoluir, segundo especialistas

Especialistas em e-commerce dizem que regras para lojas virtuais precisam evoluir.

A transparência nos preços e a capacidade de escolha que a internet proporcionou aos consumidores modificaram, para sempre, a forma de se fazer comércio. “Não surgiu somente uma nova tecnologia mas surgiram também novas funções de comércio – é um desenvolvimento de fronteiras nesta nossa década e neste século”, diz Ludovino Lopes, presidente Câmara e.net, a entidade multissetorial que representa a economia digital no Brasil e na América Latina. Lopes acrescenta a essas transformações a facilidade de acesso a mercadorias conquistadas pelos habitantes de regiões afastadas dos grandes centros. “Esse aspecto já começa a aparecer nas nossas pesquisas, mas é claro que nesse caso temos também o desafio da logística. Apesar de bem desenvolvido, o comércio eletrônico brasileiro ainda não tem o mesmo nível do praticado no Reino Unido, nos EUA ou na China, diz o presidente da Câmara e.Net.

Infográfico mostra os dados do comércio eletrônico no Brasil

As mudanças não param por aí, alerta Lopes. “Sabemos que antigamente era impensável que uma moça decidisse comprar um vestido de noiva em uma loja virtual. Mas isso já está acontecendo. Há um conjunto de ‘tabus’ desse tipo sendo quebrados”, diz ele. Em regulação e em questões fiscais, Lopes acha que o Brasil ainda precisa evoluir bastante: embora a questão de direitos do consumidor esteja resolvida, é preciso “o desenvolvimento de um marco regulatório que trate da privacidade na rede e dos bancos de dados, do próprio cenário de contratação entre as partes e dos impostos e taxas. A harmonia entre esses três pilares é que faz a economia digital florescer”, diz.

Solange Oliveira, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), acredita que o e-commerce brasileiro vem evoluindo com a própria internet ao longo dos últimos 18 anos. “Sentimos que ele caminha para a web 3.0, mas ainda estamos na 2.0, com a internet funcionando como um guia de páginas amarelas, com informações organizadas por páginas, títulos e serviços”, diz Solange. A web 3.0, segundo ela, permitirá atender melhor o consumidor em sua busca por produtos e serviços, coletando informações e oferecendo aquilo que ele realmente precisa. “Nesse ambiente, o catalisador serão as redes sociais, onde o consumidor encontra assuntos de seu interesse, produtos e pessoas que admira.”

Atualmente, o faturamento do comércio eletrônico no Brasil cresce 20% ao ano e não dá sinais de perder o fôlego, comenta Luciano Rêgo, consultor do Sebrae para comércio eletrônico. Mas ele admite que nem tudo é sucesso: viajando pelo país para dar palestras sobre o assunto, ele tem observado uma grande quantidade de empresas abrirem lojas virtuais para desistir da ideia meses depois. “Elas entram sem planejamento”, afirma. “Por isso, a taxa de insucesso fica acima de 95%”. Sua explicação para essa taxa é que os pequenos empreendedores estão tentando entrar sem planejamento, muitas vezes onde os grandes já dominam.

Fonte: Valor Econômico